Os efeitos duradouros de algumas das ameaças que impendem sobre a Biodiversidade, como os Gases de Efeito Estufa e a destruição da camada de ozono, as chuvas ácidas e a poluição atmosférica, que se calcula serem responsáveis pela destruição de 15% das florestas tropicais, embora de origem em países industriais do hemisfério norte, apresentam uma capacidade de destruição acumulada para mais cem anos, mesmo supondo que deixávamos de os produzir hoje!
A capacidade de resistência e de recuperação da Biosfera perante estes fenómenos agressivos começa também a estar deficitária perante a velocidade e a intensidade da extinção de espécies e o declínio dos habitats, já que a necessidade de stocks viáveis para sustentar a adaptação e a evolução de espécies é variável entre 20 mil e 5 milhões de Anos ! ( Myers,1996 ).
Nas ameaças á biodiversidade temos assim que incluir o Tempo, como recurso mais escasso e reflectir sobre a projecção da nossa responsabilidade no futuro, onde já não apenas pedimos emprestado , melhor dito roubamos , os recursos necessários à sobrevivência das gerações futuras, como também lhes impomos a herança da degradação ambiental quase total por muitos séculos privando-os do tempo de usufruto desses recursos e da sua qualidade de vida.
Este aspecto da crise ecológica se ter transformado em crise transgeracional embora com efeitos muito graves no presente parece-me o mais grave e talvez o menos interiorizado em toda a discussão sobre a Biodiversidade e poderia ainda ser o elemento decisivo para basear a mudança de mentalidades.